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Imobiliário à prova da Covid-19? Investimento comercial atingiu 1.470 milhões até março

04 mai 2020
Imobiliário à prova da Covid-19? Investimento comercial atingiu 1.470 milhões até março
Trata-se de um número três vezes maior face ao verificado nos primeiros três meses de 2019, segundo a JLL. Fonte: Idealista News

Apesar de ter ficado marcado pela chegada da pandemia do novo coronavírus, o primeiro trimestre de 2020 manteve o desempenho forte dos últimos tempos no mercado imobiliário. A conclusão é da consultora JLL, que revela, no relatório trimestral Market Pulse, que o investimento comercial atraiu 1.470 milhões de euros até março, tendo crescido mais de 3 vezes face aos primeiros três meses de 2019.

“Os setores de retalho, com um peso de 55%, e de hotelaria, com um peso de 26%, foram os mais dinâmicos, destacando-se as operações de venda de 50% da posição da Sierra Prime num portefólio de 6 centros comerciais; e a venda do portefólio dos Hotéis Real. Destacam-se ainda os escritórios, com uma quota de 17% e de onde se evidencia a operação de venda do portefólio PREOF com 52.000 metros quadrados (m2)”, refere a JLL, em comunicado, acrescentando que “os dois segmentos que movimentaram o maior volume de investimento no trimestre deverão ser os mais afetados nos próximos meses, influenciados pelas quebras nos respetivos mercados ocupacionais”.

JLL
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Segundo Pedro Lancastre, diretor geral da JLL Portugal, “o mercado imobiliário iniciou o ano com tal robustez que a travagem da atividade nos últimos 15 dias de março devido à pandemia, não impactou o desempenho positivo do trimestre”. “Este é desde logo um ponto de partida positivo para a retoma pós-Covid-19, que acreditamos que começará a desenhar-se a partir do terceiro ou, no limite, do quarto trimestre”, conta.

"O mercado imobiliário iniciou o ano com tal robustez que a travagem da atividade nos últimos 15 dias de março devido à pandemia, não impactou o desempenho positivo do trimestre"
Pedro Lancastre, diretor geral da JLL Portugal

O responsável considera, no entanto, “que as consequências da situação atual estão ainda por sentir”. “É inegável que os próximos meses vão ter abrandamentos significativos quer nos níveis de investimento quer de ocupação, bem como nos tempos de realização dos negócios. Ao mesmo tempo, o setor vai ter que lidar com novos desafios que vão exigir que o mercado se adapte. É o caso do teletrabalho, que se impôs de forma disruptiva devido à pandemia, mas que certamente é uma tendência que vai afetar o futuro do imobiliário”, aponta.

Pedro Lancastre mostra-se, ainda assim, otimista, até porque “os investidores e compradores, quer nacionais quer estrangeiros, mantêm um elevado interesse por Portugal”. “Estão conscientes de que atravessamos uma situação complexa, mas encaram-na como temporária, além de que se trata de um mal que afeta todos à escala global (...). O investimento vai voltar e os negócios vão retomar na segunda metade do ano. Portugal fez um percurso muito sólido de posicionamento internacional na última década, que não vai ser anulado por este vírus”, conclui.

Segmentos imobiliários à lupa

No segmento de escritórios, a ocupação trimestral em Lisboa ascendeu a 44.671 m2, mais 7% que em 2019. Em março houve algum abrandamento, “mas não o suficiente para travar os resultados agregados, os quais continuaram a refletir o contraste de uma elevada procura com a escassez de espaços de qualidade, ficando a taxa de disponibilidade em 5,4%”, refere a consultora, adiantando que devem chegar ao mercado este ano nove novos edifícios, num total de 70.000 m2, parte dos 527.000 m2 previstos para os próximos anos. 

Já no retalho, o trimestre começou animado na capital com procura e atividade tanto no comércio de rua como nos centros comerciais, com evidência para a restauração, que foi a área mais dinâmica, conclui a JLL. “Contudo, o trimestre acabou com um estado de emergência que obrigou a um fecho generalizado das lojas. A reabertura progressiva do comércio de rua está planeada para o início de maio, mas permanece uma elevada incerteza neste setor”, lê-se no documento. 

A habitação é, para a consultora, “um dos segmentos que tem provado ser mais resiliente, com um aumento da procura online e sem que os negócios tenham parado completamente”, tendo o ano também arrancado “em força”. “A JLL registou uma tendência de crescimento robusto neste trimestre, com as suas vendas de habitação a aumentarem16% face ao trimestre homólogo. E, não obstante, ter marcado a chegada da Covid-19 ao país, março foi o mês mais forte do trimestre (...). No atual contexto de pandemia, os clientes, quer portugueses quer estrangeiros, continuam bastante interessados neste mercado, antecipando-se que o principal impacto no segmento premium seja sobretudo a nível da dilatação entre o prazo de apresentação dos imóveis e da decisão de concluir o negócio”, conclui.

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